terça-feira, 7 de abril de 2026

Relatório aponta agravamento histórico da crise climática

 


Crise climática avança com recordes de temperatura, aumento dos gases de efeito estufa e impactos que atingem economias e populações em todo o mundo

A condição climática da Terra atravessa um nível de desequilíbrio sem precedentes na  história registrada. É o que aponta o relatório Estado do Clima Global 2025, da Organização Meteorológica Mundial (OMM), ao destacar que o aumento contínuo das concentrações de gases de efeito estufa segue impulsionando o aquecimento da atmosfera e dos oceanos.

Divulgado no último dia 23, o estudo alerta que transformações rápidas e de grande escala ocorreram ao longo de poucas décadas, mas seus efeitos negativos devem persistir por centenas, possivelmente milhares, de anos. O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou que a Terra está sendo empurrada para além de seus limites e que todos os indicadores climáticos estão em alerta vermelho.

Segundo a OMM, o sistema climático global nunca esteve tão desequilibrado. O relatório confirma que a combinação de níveis recordes de gases de efeito estufa, aquecimento acelerado dos oceanos e derretimento de gelo está provocando mudanças rápidas e de longo alcance em todo o planeta. O período entre 2015 e 2025 reúne os 11 anos mais quentes já registrados, evidenciando a tendência contínua de aquecimento global. Em 2025, a temperatura média anual ficou cerca de 1,43 °C acima da média pré-industrial (1850–1900), posicionando-se entre o segundo e o terceiro ano mais quente da série 

As concentrações atmosféricas de dióxido de carbono (CO₂), metano (CH₄) e óxido nitroso (N₂O) continuam em alta e atingiram novos recordes. Esses gases são os principais responsáveis pela intensificação do efeito estufa e pelo agravamento do desequilíbrio climático. Em mensagem de vídeo, António Guterres afirmou que as regras do clima estão sendo reescritas pela atividade humana, resultando em calor recorde, secas mais prolongadas e desastres cada vez mais intensos. Ele também ressaltou que a  ciência é a primeira linha de defesa da humanidade, mas que o sistema global de observação climática enfrenta pressão, com lacunas críticas, especialmente em países menos desenvolvidos e pequenos Estados insulares.

Foto: Chris Gallagher | Unsplash

Os efeitos do aquecimento acelerado já são sentidos em todos os continentes. Ondas de calor mais frequentes, chuvas intensas, ciclones mais fortes e secas prolongadas vêm causando prejuízos bilionários, além de impactar diretamente a saúde, a segurança alimentar e os meios de subsistência de milhões de pessoas.

De acordo com o Relatório de Avaliação Global sobre Redução do Risco de Desastres 2025, do Escritório das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastres (UNDRR), os custos diretos de desastres climáticos chegaram a US$ 202 bilhões em 2024. Ao considerar custos indiretos e impactos sobre os ecossistemas, esse valor ultrapassa US$ 2,3 trilhões anuais em escala global.

Apresentado no Dia Mundial da Meteorologia, em 23 de março, sob o tema “Observando hoje, protegendo o amanhã”, o relatório traz pela primeira vez o desequilíbrio energético da Terra como um dos principais indicadores climáticos. Esse indicador mede a diferença entre a energia que entra e a que sai do sistema terrestre. Em condições estáveis, esses fluxos tendem a se equilibrar. No entanto, o aumento das concentrações de gases de efeito estufa, dióxido de carbono, metano e óxido nitroso, aos níveis mais altos em pelo menos 800 mil anos, tem rompido esse equilíbrio. 

Desde o início dos registros observacionais, em 1960, o desequilíbrio energético da Terra vem aumentando, com aceleração significativa nas últimas duas décadas. Em 2025, esse indicador atingiu um novo pico. “Os avanços científicos melhoraram nossa compreensão do desequilíbrio energético da Terra e da realidade que nosso planeta e nosso clima enfrentam neste momento”, disse a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo. “As atividades humanas estão cada vez mais perturbando o equilíbrio natural e viveremos com essas consequências por centenas e milhares de anos”, completa. 
Fonte: https://ciclovivo.com.br/planeta/crise-climatica/relatorio-aponta-agravamento-historico-da-crise-climatica/



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