quinta-feira, 25 de abril de 2013

Pegada ecológica ajuda a registrar e controlar impacto do consumo

Todos nós deixamos rastros, pegadas, que marcam a nossa passagem pelo planeta. Agora imagine um jeito de calcular os impactos causados por todas essas pegadas: o tipo de alimentação que você come, o meio de transporte que você usa, a quantidade de bens que você possui, toda a energia elétrica consumida.

Tudo isso pode ser medido e transformado em pegada ecológica. A pegada revela que área do planeta deve existir apenas para suprir seu estilo de vida. E aí? Você sabe qual é a sua pegada ecológica?



A ferramenta foi criada há vinte anos por pesquisadores americanos. Trata-se de um questionário sobre os hábitos de vida e de consumo. Ao final, o cálculo das respostas mostra quantos planetas são necessários para sustentar uma pessoa.

A ideia deu tão certo que eles fundaram uma organização, a Global Footprint Network, especializada em medir a pegada ecológica de pessoas, empresas, cidades, países, e até da humanidade inteira.

Pelas contas da organização, a população do mundo consome 50% mais de recursos naturais do que o planeta é capaz de repor. Mas de quem é a culpa? “A gente está falando realmente de políticas públicas, ou seja, não dar toda a responsabilidade somente ao consumidor. Essas responsabilidades de agirmos de maneira sustentável cabem tanto ao governo quanto ao setor privado e ao consumidor”, diz Michael Becker, superintendente de conservação da WWF.

Qatar, Kuwait e Emirados Árabes são os países que lideram o ranking da pegada ecológica mundial. O Brasil é o número 53 do ranking. Se todos no mundo vivessem como a média dos brasileiros, um planeta só não seria suficiente. Precisaríamos de uma área 60% maior.

Em uma situação muito comum em supermercados, mercearias e hortifrutis no Brasil, há duas formas pelo menos de dispor os produtos nas prateleiras: a granel, o consumidor escolhe livremente, e os chamados produtos selecionados, em bandejinhas de isopor, com plástico.

“Os dois são tomates, mas a diferença é que, no segundo caso, ainda é necessário energia e outros recursos para produzir a bandejinha, o plástico e o armazenamento correto dele. A pegada ecológica desse produto específico, que tem mais embalagens, é muito maior do que o de um produto a granel”, diz o consultor do Ecossistemas, Fabrício Campos.

O mesmo acontece com o produto congelado. “A energia necessária para se resfriar esse alimento é um volume enorme de energia que se gasta nesse processo. Portanto, a pegada ecológica de um produto congelado é, sem dúvida, muito maior”, afirma Campos.

Convidamos artistas que fazem a diferença em favor do meio ambiente para fazer o teste da pegada. Christiane Torloni se tornou uma militante em favor das florestas. Marcos Palmeira já viveu com índios e cultiva orgânicos. Veja o resultado no vídeo.

Se produzir pegadas é inevitável, reduzir o impacto causado por elas é mais do que possível.

Para isso, só uma coisa é necessária: atitude.

* André Trigueiro é jornalista com pós-graduação em Gestão Ambiental pela Coppe-UFRJ onde hoje leciona a disciplina geopolítica ambiental, professor e criador do curso de Jornalismo Ambiental da PUC-RJ, autor do livro Mundo Sustentável – Abrindo Espaço na Mídia para um Planeta em Transformação, coordenador editorial e um dos autores dos livros Meio Ambiente no Século XXI, e Espiritismo e Ecologia, lançado na Bienal Internacional do Livro, no Rio de Janeiro, pela Editora FEB, em 2009. É apresentador do Jornal das Dez e editor chefe do programa Cidades e Soluções, da Globo News. É também comentarista da Rádio CBN e colaborador voluntário da Rádio Rio de Janeiro.


fonte: http://www.institutocarbonobrasil.org.br/?id=733728

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