quarta-feira, 28 de março de 2012


Atividades humanas colocam o "mundo sob pressão"

Autor: Fabiano Ávila 

Maior conferência sobre sustentabilidade antes da RIO+20 reúne quase três mil especialistas que afirmam que estamos ultrapassando os limites da Terra e rumando para um futuro incerto e perigoso.


O tempo está acabando para evitar que algumas transformações climáticas e ambientais se tornem irreversíveis, como o aquecimento global e o aumento do nível dos oceanos. É o aviso que manda a conferência oMundo Sob Pressão, que começou nesta segunda-feira (26) em Londres, Inglaterra.
Os mais de 2800 cientistas, políticos e representantes de empresas reunidos para o evento ouviram nos discursos de abertura que o impacto da humanidade no planeta está provocando o que foi batizado de “A Grande Aceleração”.
O fenômeno pode ser definido como a perda de recursos e condições de vida em um ritmo muito mais rápido do que era previsto.
“Os últimos 50 anos viram as mais rápidas transformações entre a relação humana e o mundo natural. Muitas atividades se tornaram tão vorazes que no tempo de uma única geração mudanças drásticas aconteceram nos ecossistemas. Nós estamos presenciando a ‘Grande Aceleração’”, afirmou Will Steffen, especialista em transformações globais da Universidade Nacional da Austrália.
De acordo com os palestrantes que abriram a conferência, muitos são os indicadores que mostram que estamos perto de atingir um ponto onde transformações prejudiciais serão irreversíveis: a maior concentração do dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, o aumento das temperaturas e dos níveis dos oceanos, o degelo de montanhas e polos, a perda da biodiversidade, a escassez dos recursos hídricos e o consumo irracional do atual modelo econômico.
“Para onde estamos indo? A humanidade está alterando vários ciclos naturais importantes, como o do carbono, água e nitrogênio. Estamos ultrapassando limites que deveriam ser respeitados para a nossa própria segurança”, alertou Steffen.
Antropoceno
Muitos pesquisadores já defendem que o planeta entrou em uma nova era geológica, um período marcado pelo profundo impacto de uma única espécie em todos os ecossistemas – os humanos. O nome dessa nova era é Antropoceno.
Os cientistas estimam que as emissões de gases resultantes das nossas atividades podem elevar a temperatura média do planeta em até 6°C nos próximos 100 anos. Um aquecimento dessa magnitude causaria a extinção de muitas espécies e transformaria de forma drástica todas as regiões do planeta.
Entre as consequências atuais das mudanças climáticas apresentadas na abertura da conferência estão a perda de 200 km cúbicos de gelo desde 1990 na Antártica Ocidental e a acidificação dos oceanos, que provoca a morte dos corais e afeta severamente muitas espécies marinhas.
Mas nem todas as projeções são desoladoras. Segundo a codiretora do Instituto de Meio Ambiente da Universidade do Arizona, Diana Liverman, vários fatores que estimulam as mudanças climáticas estão ficando mais lentos.
“O crescimento populacional está diminuindo, a intensidade de carbono e de energia por unidade de produção está caindo, as tecnologias agrícolas estão melhorando e o desmatamento declinando em diversas regiões”, disse Diana.
O que a cientista defende é que sejam repensados os modelos de consumo mundial. “Muitos países consumem de tudo em excesso, da água aos alimentos. Para piorar, vemos que as nações emergentes estão seguindo pelo mesmo caminho, isso precisa ser trabalhado. É necessário tornar o consumo racional um mantra mundial”, declarou.
A conferência Mundo sob Pressão vai até a próxima quinta-feira (29) e é o maior evento sobre sustentabilidade antes da Rio+20 em junho.

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